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Asma, Farmacoterapia da
28 ago 2008
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Farmacoterapia da asma
Conceitos básicos
O tratamento farmacológico da asma utiliza medicamentos com os seguintes objetivos:
Reduzir o processo inflamatório das vias aéreas, com o uso de agentes antiinflamatórios
Agentes direcionados para a redução do broncoespasmo, os broncodilatadores
Existem 6 classes de medicamentos indicados para o tratamento da asma:
Agonistas dos receptores betaadrenérgicos
Glicocorticóides
Inibidores dos leucotrienos
Cromonas
Teofilina (metilxantinas)
Inibidores das imunoglobulina E (IgE)
Fármacos administrados por aerosol
Os fármacos usados mais comumente no tratamento da asma podem causar efeitos graves quando administrados por via sistêmica
Dentre estes medicamentos se destacam:
Agonistas dos receptores beta-adrenérgicos
Glicocorticóides
Mais de 90 por cento dos pacientes asmáticos capazes de manipular dispositivos aerosóis, podem ser tratados por este método
O paciente deve fazer uma inalação profunda e prender a respiração por cerca de 5 a 10 segundos
Mesmo em condições ideias, apenas cerca de 2 a 10 por cento do medicamento em aerosol é depositado nos pulmões
A maior parte é deglutida
Para reduzir os efeitos sistêmicos, o fármaco aerosol deve ser:
Mal absorvido pelo trato gastrintestinal
Ser inativado rapidamente pelo metabolismo hepático de primeira passagem
Conectado a espaçadores que aumentam a relação entre o fármaco inalado e deglutido
Agonistas dos receptores beta2-adrenérgicos
Mecanismo de ação e utilização na asma
Com poucas exceções estes fármacos são administrados via inaladores
Estas drogas podem ser classificados em fármacos de ação curta e longa
Os agonistas de ação curta são utilizados apenas para o alívio da asma
Os agonistas de ação longa são administrados profilaticamente no tratamento da asma
Os agonistas beta2-adrenérgicos atuam no relaxamento da musculatura lisa das vias aéreas
Com o relaxamento da musculatura lisa há broncodilatação consequente
Agonistas dos receptores beta2-adrenérgicos de ação curta
Drogas desta categoria:
Albuterol
Levalbuterol
Metaproterenol
Terbutalina
Pirbuterol
Estas drogas são utilizadas no tratamento inalatório do broncoespasmo agudo
A terbutalina, o albuterol e o metaproterenol, estão disponíveis em formulações orais
Estas drogas quando aplicadas por via aerosol agem dentro de 1 a 5 minutos, causando broncodilatação por cerca de 2 a 6 h
OS
agonistas de ação curta são os fármacos de escolha para obtenção de
alívio sintomático rápido da dispnéia associada à broncoconstrição
asmática
Os agonistas beta2-adrenérgicos não devem ser empregados em pacientes cujos sintomas asmáticos tornam-se persistentes
Agonistas dos receptores beta2-adrenérgicos de ação longa
Principais drogas:
Xinafoato de salmeterol
Formoterol
O salmeterol quando inalado provoca broncodilatação persistente por mais de 12 h
Os agonistas de longa duração apresentam poucos efeitos adversos nas doses recomendadas
Tratamentos prolongados com agonistas de longa duração podem causar dessemsibilização, atenuando seus efeitos
Em doses maiores estes fármacos podem causar:
Aumento da frequência cardíaca
Arritmias cardíacas
Efeitos no sistema nervoso central relacionados aos receptores beta2-adrenérgicos
Tratamento oral com agonistas dos receptores beta2-adrenérgicos
Não possui muita aceitação devido ao risco aumentado de efeitos adversos
Os principais efeitos adversos observados são:
Tremores
Câimbras musculares
Taquiarritmias cardíacas
Distúrbios metabólicos
Situações onde os agonistas beta2-adrenérgicos são utilizados:
Ciclos breves de tratamento com xaropes de albuterol e metaproterenol
Crianças menores de 5 anos que não podem manipular inaladores
Pacientes com exacerbação grave de asma
Glicocorticóides
As preparações com aerosol aumentaram em muito a segurança no tratamento com os glicocorticóides na asma
Pacientes
que utilizam agonistas beta2-adrenérgicos inalatórios mais de 4 vezes
por semana são candidatos ao tratamento com glicicorticóides inalatórios
Mecanismo de ação dos glicocorticóides na asma
Na asma há inflamação e hiper-reatividade das vias aéreas, além de broncoconstrição aguda
Os glicocorticóides atuam como inibidores da inflamação das vias aéreas
Efeitos antiinflamatórios dos glicocorticóides na asma:
Modulação da síntese de citocinas e quimiocinas
Inibição da síntese de eicosanóides
Inibição do acúmulo de células inflamatórias no tecido pulmonar
Redução da permeabilidade vascular
Glicicorticóides inalatórios
O tratamento da asma com glicicorticóides sistêmicos está associado a efeitos adversos significativos
Preparações de glicicorticóides em aerosol:
Reduzem a exposição aos efeitos adversos destas drogas
São mais efetivas no tratamento da asma
Drogas disponíveis:
Beclometasona
Budesonida
Ciclesonida
Fluticasona
Os índices terapêuticos destas drogas são semelhantes
São drogas utilizadas no controle profilático da asma
Sendo drogas profiláticas exigem compromisso e obediência ao tratamento por parte dos pacientes
Quanto maior a comodidade posológica da preparação aerosol melhor a adesão ao tratamento
Pacientes mantidos com glicocorticóides necessitam cada vez menos de medicações de resgate (agonistas beta2-adrenérgicos)
Efeitos adversos:
Supressão do eixo hipotálamo-hipófise-supra-renal
Reabsorção óssea
Alterações no metabolismo dos carboidratos e lipídios
Adelgaçamento da pele
Catarata
Disfonia
Candidíase
Atraso no crescimento
Glicocorticóides sistêmicos
Somente são empregados em casos graves e exacerbações asmáticas agudas
Antileucotrienos
Drogas antagonistas dos receptores de leucotrienos:
Zafirlucaste
Montelucaste
Mecanismo de ação
Inibição da contração da musculatura lisa dos brônquios
Toxicidade: estas drogas apresentam poucos efeitos adversos
Uso na asma:
Promovem melhoras modestas da função pulmonar
Reduzem os sintomas e exacerbações da asma
Embora sejam eficazes o papel desta categoria de drogas ainda é controverso
Terapia anti-IgE
O omalizumab foi a primeira droga biológica aprovada para o tratamento da asma
Trata-se de um anticorpo monoclonal dirigido contra a IgE
Uma
vez ligada ao omalizumab a IgE não consegue ligar-se aos seus
receptores nos mastócitos e basófilos, bloqueando a reação alérgica
Toxicidade: reações no local de aplicação
Uso na asma:
Está indicado para adultos e adolescentes com mais de 12 anos com alergias e asma persistente moderada a grave
Têm eficácia comprovada na:
Redução da dependência aos corticóides inalatórios e orais
Diminuição da frequência das exacerbações da asma
Não deve ser empregado como droga de resgate
Cromonas
O cromoglicato de sódio tem papel limitado na asma
Atua inibindo crises asmáticas brandas e moderadas
São ineficazes no tratamento da broncodilatação instalada
São menos eficazes que os glicocorticóides no controle da asma
Teofilina (metilxantina)
É uma droga de terceira ou quarta escolha para o tratamento da asma
É um broncodilatador dotado de propriedades antiinflamatórias
Deve ser utilizada apenas como medicamento adicional no tratamento da asma
Toxicidade: cefaléia, palpitação, tontura, náuseas, hipotensão e dor precordial
Anticolinérgicos
Com o advento dos agonistas beta2-adrenérgicos inalatórios o uso dos anticolinérgicos diminuiu
O brometo de ipratrópio pode ser usado no tratamento das exacerbações graves de asma:
Associado ao beta-2 agonista de curta duração ou em sua substituição
No caso de efeitos adversos como taquicardia e arritmia cardíaca
Referências
Goodman & Gilman: As bases farmacológicas da terapêutica, 11 ed., 2006
IV
Diretrizes Brasileiras para o Manejo da Asma, Jornal Brasileiro de
Pneumologia 2006;32(Supl 7):S 447-S 474, editores Roberto Stirbulov,
Luiz Antônio G. Bernd e Dirceu Sole
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