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Miocardiopatia dilatada
28 ago 2008
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Miocardiopatia dilatada
Conceitos básicos
É uma doença primária do miocárdio, com as seguintes características:
É de evolução crônica
Leva a uma disfunção sistólica e dilatação ventricular
Cerca de 1 em cada 3 casos de insuficiência cardíaca congestiva (ICC) origina-se de miocardiopatia dilatada
A
função sistólica dos ventrículos mostra-se alterada, levando a aumento
e hipertrofia progressivos do coração - remodelagem cardíaca
Muitos casos de miocardite dilatada são resultantes finais de lesão miocárdica produzida por agentes:
Tóxicos
Metabólicos
Infecciosos
A miocardiopatia dilatada pode ser uma seqüela tardia da miocardite viral aguda, relacionada a mecanismos imunológicos
É mais comumente uma doença dos homens de meia-idade e mais freqüente em negros
Uma forma reversível de miocardiopatia dilatada pode ser encontrada em casos de:
Abuso de álcool
Gravidez
Doença tireóidea
Uso de cocaína
Taquicardia crônica não controlada
Cerca de 20 a 40 por cento dos pacientes têm formas familiares da doença - mediação genética
Etiologia
Na maioria dos casos, não há uma causa específica relacionada
Caracterizando a miocardiopatia dilatada idiopática
Quando uma causa específica está relacionada, a miocardiopatia dilatada passa a ser considerada secundária
Principais causas de miocardiopatias dilatadas secundárias
Doença de Chagas - causa mais comum no Brasil
Miocardiopatia alcoólica - causa mais comum nos EUA
Alguns casos de miocardite viral
Miocardiopatia diabética
Colagenoses - LES
Disfunções endócrinas
Hipo e hipertireoidismo
Síndrome de Cushing
Feocromocitoma
Acromegalia
Carências alimentares
Kwashiorkor
Béri-béri
Deficiências de selênio
Deficiência de eletrólitos
Hipocalcemia
Hipofosfatemia
Uso de cocaína
Metais pesados
Doenças infiltrativas
Amiloidose
Hemocromatose
Fisiopatologia
O processo inflamatório tóxico, carencial ou degenerativo leva à:
Inibição da atividade contrátil dos miócitos
Perda progressiva dos miócitos
A característica fisiopatológica mais importante da miocardiopatia dilatada é a:
Redução na contratilidade miocárdica
A redução do inotropismo leva à disfunção sistólica
O primeiro indício de disfunção sistólica é a dilatação ventricular
O paciente pode se manter assintomático por anos, devido a mecanismos compensatórios
Quando a fase descompensada se instala, surgem os sinais clássicos da insuficiência cardíaca congestiva
Sinais e sintomas predominantes:
Congestão pulmonar,
Dispnéia
Ortopnéia
Dispnéia paroxística noturna - DPN
Baixo débito
Fadiga
Astenia
Cansaço
Hipertensão pulmonar secundária à congestão
Levando a uma sobrecarga do VD, que pode entrar em insuficiência sistólica
Manifestações clínicas
Na maioria dos pacientes, os sintomas de insuficiência cardíaca esquerda e direita se instalam gradualmente
Alguns indivíduos apresentam dilatação do VE há anos antes de se tomarem sintomáticos
Dor torácica pode estar presente, embora vaga
A angina de peito é incomum
Sugere a existência de cardiopatia isquêmica concomitante
Podem ocorrer síncope decorrente de arritmias e embolia sistêmica
Exame físico
Observam-se graus variáveis de cardiomegalia e achados de ICC
Na doença avançada:
A pressão de pulso é estreita
A pressão venosa jugular se eleva
A terceira e quarta bulhas são comuns
Pode haver insuficiência mitral ou tricúspide
Exames laboratoriais
A radiografia de tórax pode demonstrar:
Aumento da silhueta cardíaca devido à dilatação do VE
Hipertensão venosa e edema
O eletrocardiograma freqüentemente evidencia:
Alterações no segmento ST e na onda T
O ecocardiograma e a ventriculografia com radionuclídio demonstram:
Dilatação ventricular esquerda com paredes normais ou minimamente espessadas ou adelgaçadas
Disfunção sistólica - redução da fração de ejeção
O cateterismo cardíaco e a angiocoronariografia
Muitas vezes são indicados para excluir cardiopatia isquêmica
Pressões de enchimento elevadas tanto no VE quanto no VD
Diminuição do débito cardíaco
Tratamento
A maioria dos pacientes segue um curso de deterioração inexorável
Há melhora espontânea ou estabilização do quadro em cerca de 25 por cento dos casos
A morte pode ser decorrente de:
ICC
Taqui ou bradiarritmias ventriculares
Uma parte fundamental do tratamento é o suporte às complicações como as arritmias e a fibrilação atrial, devido aos riscos de:
Descompensação cardíaca
Fenômenos trombo-embólicos
Os digitais são as drogas de escolha para o controle da frequência ventricular
A embolia sistêmica:
É uma ameaça constante neste pacientes
É recomendado o uso crônico de anticoagulantes
Produz uma melhora sintomática, o tratamento-padrão da insuficiência cardíaca com:
Restrição de sal
Inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA)
Um bloqueador do receptor da angiotensina II pode ser uma alternativa para os pacientes com intolerância aos inibidores da ECA
Diuréticos
Digitálicos
Anticoagulantes - warfarim
A maioria dos pacientes deve ser tratada com um bloqueador beta adrenérgico
Apesar de seu efeito inotrópico negativo, potencialmente deletério, estes atuam:
Na melhora dos sintomas e dos parâmetros hemodinâmicos
Aumentam o número de receptores beta 1 (up regulation)
Nestes pacientes muitos receptores encontram-se inativados por anticorpos específicos
Este atua diminuindo a frequência cardíaca
A espironolactona:
Deve ser acrescentada para a maioria dos pacientes com insuficiência cardíaca avançada recente ou atual
Características e propriedades da espironolactona:
Diurético
Anti-hipertensivo
Anti-hipopotassêmico
No tratamento das miocardiopatias secundárias, deve ser observada:
A retirada da droga cardiotóxica:
Cocaína
Doxorrubicina
Antibiótico antineoplásico usado no tratamento tanto de leucemia quanto de tumores sólidos
Ciclofosfamida
Antineoplásico e agente imunossupressor utilizado no tratamento de linfomas e leucemias
Uso de corticosteróides nas:
Colagenoses
Sarcoidose
Reposição de fator deficiente
Tiamina
Selênio
Proteína
Cálcio
Fósforo
Correção da disfunção endócrina
Uso de drogas para o combate do Tripanossoma cruzi
Deve ser evitado o uso de:
Álcool, devido aos seus efeitos tóxicos sobre o coração
Bloqueadores dos canais de cálcio, pois estes medicamentos:
Diminuem a excitação e contratilidade da fibra cardíaca
Anti-inflamatórios não-esteróides
Terapia de ressincronização - uso de um marca-passo biventricular
Um em cada três pacientes apresenta atraso na condução intraventricular
Como bloqueio de ramos esquerdo ou direito
Melhora os sintomas
Reduz as hospitalizações
Tratamento cirúrgico:
O transplante cardíaco é o de maior benefício
Referências
Fisiologia, editores Robert M. Berne [et al.], 5 ed., Elsevier, 2004
Tratado de Fisiologia Médica, editores Guyton & Hall, 10 ed., Guanabara Koogan S.A., 2002
Harrison medicina interna, editores Dennis L.Kasper [et al.], 16 ed., McGraw-Hill, Interamericana do Brasil Ltda, 2006
Cecil, tratado de medicina interna, editores Lee Goldman, Dennis Ausiello, 22 ed., Elsevier, 2005
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