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Bulhas cardíacas
28 ago 2008
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Bulhas cardíacas
Introdução
As bulhas cardíacas são sons provenientes da vibração de estruturas cardíacas, durante o ciclo cardíaco
Duas bulhas são normalmente audíveis:
B1 - primeira bulha cardíaca
É produzida pelo fechamento das valvas átrio-ventriculares
Marca o início da sístole
B2 - segunda bulha
É produzida pelo fechamento das valvas ventrículo-arteriais
Marca o início da diástole
Principais focos de ausculta:
Mitral
Foco mitral
Tricúspide
Foco tricúspide
Pulmonar
Foco pulmonar
Aórtico
Foco aórtico
Os focos pulmonar e aórtico são os focos da base
Primeira bulha - B1
É melhor audível com o diafragma nos focos:
Tricúspide - melhor audível
Foco tricúspide
Mitral
Foco mitral
É proporcionado pelas vibrações relativas ao fechamento das valvas mitral e tricúspide
O componente mitral ocorre antes do componente tricúspide, apresentando uma maior fonese
Desdobramento de B1
É audível quando os componentes mitral e tricúspide se afastam
Normalmente é proporcionado pelo atraso do componente tricúspide
Pode ocorrer em pessoas normais
Pode ser bastante amplo no bloqueio de ramo direito, quando há um atraso na contração do VD
É melhor audível no foco tricúspide
Foco tricúspide
Causas de hiperfonese de B1
É comum em indivíduos magros ou com diâmetro ântero-posterior torácico pequeno
Nas síndromes hiperdinâmicas
Devido ao aumento da força contrátil dos ventrículos
Na estenose mitral
A pressão atrial esquerda está alta e a valva está tensa
A valva só se fecha no momento em que a pressão ventricular está mais alta, fechando-se com mais força
Quando o intervalo PR é curto
Elemento do eletrocardiograma que mede o tempo entre a atividade atrial e a atividade ventricular
Causas de hipofonese de B1
É comum em indivíduos:
Obesos
Musculosos
Com diâmetro ântero-posterior aumentado
DPOC
Cifose
Nos processos pericárdicos há hipofonese de B1
Derrame pericárdico
Quando a valva mitral apresenta-se com folhetos calcificados
Estenose mitral com degeneração valvar acentuada
Na regurgitação mitral
Quando o intervalo PR é longo
Como no bloqueio átrio ventricular de primeiro grau
Nos estados de hipocontratilidade miocárdica
Segunda bulha - B2
É melhor audível com o diafragma e nos focos da base
É produzido pela vibração relacionada ao fechamento das valvas aórtica e pulmonar
Marca o início da diástole
É constituída dos componentes:
Aórtico - A2
Pulmonar - P2
O componente P2 ocorre com um pequeno atraso em relação ao componente A2
Desdobramento Fisiológico de B2
Durante a inspiração, há um aumento do retorno venoso para o coração direito, devido à redução da pressão intratorácica
Com isso, o volume do coração direito aumenta, havendo um prolongamento de sua ejeção
Há, consequentemente, um atraso no componente pulmonar (P2)
É mais comum em crianças e adolescentes
É melhor audível no foco pulmonar
Foco pulmonar
Desdobramento amplo ou fixo de B2
O atraso da ejeção ventricular direita é maior em condições tais como:
Bloqueio de ramo direito
Disfunção ventricular direita
Comunicação inter-atrial - CIA
Estenose pulmonar
Ocorre tanto na inspiração quanto na expiração
Desdobramento paradoxal de B2
É o desdobramento se dá na expiração e desaparece na inspiração
Como a inspiração atrasa o componente P2, é corrigido o desdobramento que, portanto, só está presente na expiração
Está relacionado a um atraso no início da sístole do VE ou o seu prolongamento, atrasando o componente A2
Ocorre comumente no:
Bloqueio de ramo esquerdo
Estenose aórtica
Disfunção ventricular esquerda
Causas de Hiperfonese de B2
Relacionadas ao componente A2
É melhor audível no foco aórtico
Indivíduos magros ou com diâmetro ântero-posterior torácico pequeno
Síndromes hiperdinâmicas
Hipertensão arterial sistêmica
Dilatação da aorta ascendente
Relacionadas ao componente P2
É melhor audível no foco pulmonar
Hipertensão arterial pulmonar
Dilatação da artéria pulmonar
Causas de Hipofonese de B2
Indivíduos obesos, musculosos
Indivíduos com diâmetro ântero-posterior aumentado
DPOC
Cifose
Processos pericárdicos
Derrame pericárdico
Hipotensão arterial, relacionada ao componente A2
Estenose aórtica
Calcificação dos folhetos aórticos, relacionada ao componente A2
Estenose pulmonar, relacionada ao componente P2
Terceira bulha - B3
Ocorre após a B2
Produz um som de baixa frequência, melhor audível com a campânula
Quando associada ao VE, é audível no foco mitral, sem irradiação
Quando associada ao VD
É audível nos focos tricúspide e aórtico acessório (terceiro espaço intercostal esquerdo junto ao esterno)
Aumenta com a inspiração - manobra de Rivero-Carvalho
Resulta
da vibração da parede ventricular, decorrente da brusca transição da
fase de enchimento rápido para fase de enchimento lento ventricular
Quando audível, geralmente aponta uma sobrecarga volumétrica ventricular
Pode ser considerada fisiológica em:
Crianças e adolescentes
Atletas
Nas síndromes hiperdinâmicas
Anemia
Tireotoxicose
Febre
A B3 patológica ocorre na:
Sobrecarga de volume crônica
Insuficiência mitral crônica
Insuficiência aórtica crônica
Comunicação inter-ventricular (CIV) e inter-atrial (CIA)
Redução da complacência ventricular
Cardiomiopatias dilatadas, restritivas e hipertrófica
Na descompensação da insuficiência cardíaca sistólica
Quarta bulha - B4
É uma bulha pré-sistólica
Ocorre logo antes da B1, ou seja, no final da diástole ou pré-sístole
É um som de baixa frequência, sendo melhor audível com a campânula
Quando associada ao VE, é audível no foco mitral, sem irradiação
Quando associada ao VD, é audível nos focos tricúspide e aórtico acessório
Aumenta com a inspiração
Resulta da vibração da parede ventricular, produzida por uma vigorosa contração atrial
Para a contração atrial ser vigorosa, a ponto de produzir uma B4 audível, é necessário que:
A complacência ventricular esteja baixa
Haja um elevado déficit de relaxamento ventricular, comum na hipertrofia ventricular esquerda concêntrica
Pode ocorrer em atletas, que geralmente possuem uma leve a moderada hipertrofia ventricular concêntrica
Causas mais comuns de B4 são:
Hipertrofia ventricular esquerda concêntrica, relacionada a:
Idosos
Hipertensão arterial
Estenose aórtica
Cardiomiopatia hipertrófica
Doença isquêmica do miocárdio
Cardiomiopatias dilatadas e restritivas
Referências
Bates Propedêutica Médica, editores Lynn S. Bickley [et al.], 8 ed.,Guanabara Koogan S.A., 2005
Exame clínico, editores Celmo Celeno Porto [et al.], 5 ed.,Guanabara Koogan S.A., 2004
Fisiologia, editores Robert M. Berne [et al.], 5 ed., Elsevier, 2004
Tratado de Fisiologia Médica, editores Guyton & Hall, 10 ed., Guanabara Koogan S.A., 2002
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