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Antibióticos - Resistência bacteriana
28 ago 2008
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Antibióticos - Resistência bacteriana
Conceitos básicos
A resistência aos antimicrobianos é um fenômeno genético
Existem genes que codificam diferentes mecanismos que impedem a ação dos antimicrobianos
Resistência natural - quando os genes fazem parte do próprio código genético
Resistência adquirida
Ocorre quando o código genético não está normalmente presente no genoma do germe
Pode ser o resultado de mutações que ocorrem durante seu processo reprodutivo
Tolerância
Algumas bactérias sofrem bacteriostase, mas resistem à ação bactericida de uma droga na suas concentrações mínimas
O fenômeno tem sido registrado com os seguintes germes em relação ao uso de penicilinas, cefalosporinas e vancomicina:
Estafilococos
Enterococos
Pneumococos
Estreptococos
A tolerância não oferece dificuldades terapêuticas para a maioria das infecções em pacientes com imunidade preservada
A atividade bacteriostática da droga é suficiente para permitir que o sistema imune íntegro, elimine o microrganismo
Persistência
É a sobrevivência do germe nos tecidos, sendo mantida a sensibilidade à droga utilizada para combatê-lo
A persistência pode ser devida à quantidade insuficiente do antibiótico que chega ao foco de infecção
Resistência
Uma
bactéria é resistente quando é capaz de crescer in vitro em presença da
concentração inibitória que esta droga atinge no sangue
Uma
bactéria pode ser resistente à concentração da droga atingida no
sangue, mas ser destruída por esta mesma droga nas vias urinárias
Devido à concentração mais elevada neste local
O mecanismo de resistência do Staphylococcus aureus para a penicilina G se deve à produção de uma enzima, a beta-Iactamase
Para a maioria das bactérias, não são os antibióticos que transformam uma bactéria sensível em resistente
Os antibióticos atuam na seleção de germes resistentes já previamente existentes em uma população bacteriana
Mecanismos bioquímicos de resistência
Inativação enzimática
A inativação enzimática da droga é o mecanismo mais importante de resistência
Ele se dá através do bloqueio ou modificação da estrutura do antimicrobiano
A destruição dos antibióticos beta-lactâmicos por beta-lactamases é a causa principal de resistência a estes antibióticos
Os estafilococos são os principais patógenos gram-positivos produtores de beta-lactamases
Capacidade adquirida por mutação ou transferência de plasmídios
São basicamente inativadoras de penicilina (penicilinase)
Principais bacilos gram-negativos produtores de beta-lactamase:
Pseudomonas
E. coli
Klebsiella
H. influenzae
Estas inativam principalmente:
Penicilinas
Cefalosporinas
Monobactâmicos
Carbapenemas
Principais enterobactérias produtoras de beta-lactamase:
Citrobacter
Enterobacter
Serratia
Providencia
Estas inativam principalmente:
Penicilinas
Cefalosporinas
Monobactâmicos
Alteração da permeabilidade às drogas
Muitos
antibióticos tóxicos para bactérias gram-positivas, só exercem ação
contra bacilos gram-negativos em concentrações elevadas
Um dos mecanismos envolvidos nesta resistência natural é a impossibilidade do antibiótico atingir o seu local de ação
Isto ocorre por ele ser incapaz de atravessar a membrana externa lipopolissacarídica dos germes gram-negativos
Mecanismos menos frequentes de resistência
Alterações do sistema de transporte
Retirada ativa da droga do meio intracelular
Alteração no receptor da droga
Modificação do sistema metabólico
Resistências nos principais grupos bacterianos
Estafilococos
No meio comunitário, mostram elevada resistência a:
Penicilinas G e V
Ampicilina
Amoxicilina
No ambiente hospitalar, soma-se elevada resistência à:
Oxacilina
Cefalosporinas da 1a.e 2a. gerações
Estes estafilococos receberam a denominação de MRSA ou ORSA
Staphylococcus aureus meticilina ou oxacilina-resistentes
Freqüentemente, os estafilococos penicilina-resistentes mostram-se também resistentes a:
Macrolídeos
Aminoglicosídeos
Tetraciclinas
Mupirocina
Cotrimoxazol
São opções terapêuticas para as cepas de estafilococos penicilina-resistentes:
Os glicopeptídeos (vancomicina e teicoplanina)
Já foram descritos Staphylococcus aureus com diminuição de sensibilidade à vancomicina e à teicoplanina
Estes receberam as seguintes designações em inglês:
VISA - estafilococos com resistência intermediária à vancomicina
GISA - estafilococos com resistência intermediária aos glicopeptídeos
Foram também identificados, S. aureus com elevada resistência à vancomicina e à teicoplanina
Sendo denominados de VRSA ou GRSA
Estes estafilococos apresentam como mecanismos de resistência:
O espessamento da parede celular
O aprisionamento das drogas pela hiperprodução de componentes da parede
Os estafilococos resistentes aos glicopeptídeos têm como alternativas terapêuticas:
A quinupristina e ou dalfopristina
A linezolida
E a combinação da vancomicina com um antibiótico beta-lactâmico antiestafilocócico
Enterococos
O Enterococcus faecalis e E.faecium apresentam:
Pequena sensibilidade a:
Aminoglicosídeos
Penicilina G
Moderada sensibilidade à:
Ampicilina
Cloranfenicol
Elevada sensibilidade aos glicopeptídeos
Podem existir cepas hospitalares resistentes à vancomicina
Os enterococos também podem ser insensíveis ao:
Cloranfenicol
Tetraciclinas
Eritromicina
Rifampicina
As alternativas atuais para o tratamento de infecções por enterococos resistentes às penicilinas e glicopeptídeos são:
Cloranfenicol
Quinupristina
Dalfopristina
Oxazolidinonas
Pneumococo
A resistência do Streptococcus pneumoniae à ação das penicilinas é uma grave realidade em vários países
Além da penicilina G há resistência também à:
Ampicilina
Amoxicilina
Cefalosporinas da 1a.geração
Os pneumococos com elevada resistência às penicilinas freqüentemente mantém a sensibilidade às:
Fluoroquinolonas antipneumocócicas, para infecções respiratórias
Levofloxacino
Moxifloxacino
Gatifloxacino
Glicopeptídeos, para as infecções sistêmicas
Vancomicina
Teicoplanina
Estreptococos
Os estreptococos beta-hemolíticos permanecem sensíveis à ação dos antibióticos beta-lactâmicos
A benzilpenicilina continua a ser a droga de escolha para o tratamento de infecções causadas por estes microrganismos
Estirpes mutantes de Streptococcus pyogenes podem apresentar resistência a:
Tetraciclinas
Cloranfenicol
Cotrimoxazol
Eritromicina
E a outros macrolídeos, podendo ou não manter a sensibilidade à clindamicina
Nos estreptococos do grupo viridans a resistência à penicilina é encontrada em diferentes países
Gonococo e Meningococo
As penicilinas não mais oferecem segurança para a terapia de infecções gonocócicas no Brasil
São indicadas como drogas de escolha para a terapêutica contra a uretrite e cervicite gonocócica:
Ofloxacino
Cefixima
Ceftriaxona
Tianfenicol
Haemophilus influenzae
A resistência à ampicilina predomina no soro tipo B, produtoras de beta-lactamases mediadas por plasmídios
Estes habitualmente, mostram-se sensíveis à:
Associação da amoxicilina com ácido clavulânico
Às cefalosporinas da 2a.e 3a. gerações
Azitromicina
Além dos beta-lactâmicos, o H. influenzae adquiriu também resistência às:
Tetraciclinas
Cloranfenicol
Rifampicina
Sultametoxazol + trimetoprima
Enterobactérias
Os bacilos gram-negativos entéricos são, amplamente resistentes a anti-microbianos tais como:
Sulfonamidas
Ampicilina
Amoxicilina
Cefalosporinas da 1a. geração
Aminoglicosídeos
Pseudomonas aeruginosa
É um bacilo gram-negativo não-fermentador de glicose
A resistência da P.aeruginosa aos antimicrobianos vem se acentuando especialmente no ambiente hospitalar
As drogas ativas contra este patógeno freqüentemente se limitam a:
Polimixinas
Carbapenemas
Ciprofloxacino
Ampicilina associada com sulbactam
Não é raro o encontro de multirresistência, com sensibilidade somente às polimixinas
Referências
Antibióticos e quimioterápicos para o clínico, editor Walter Tavares [et al.], 1 ed., Editora Atheneu, 2007
Farmacologia: básica & clínica / editoria de Bertram G. Katzung, 9ª ed.,Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005
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